segunda-feira, 28 de dezembro de 2009


Fim de ano tem dessas vantagens: muitos encontros com amigos, em restaurantes deliciosos. Pois um dos últimos almoços do ano foi no Mocotó, na companhia da Isabela Raposeiras, de Lourdes Hernández e de Felipe Herenberg. E foi exatamente como eu queria: numa ensolarada segunda-feira, atravessamos a cidade e seu trânsito rumo ao bairro da Vila Medeiros que mais parece uma outra cidade, tal como a Freguesia do Ó.

Talvez tenha sido o horário em que chegamos - às 3 da tarde. O fato é que a casa em nada lembrava o movimento quase insano do domingo. Uma excelente caipirinha de caju abriu os trabalhos, que duraram até às 18h. Não pretendo fazer nenhum eleição dos melhores este ano. Mas o jovem Rodrigo Oliveira é um dos mais promissores cozinheiros desta nova geração e seu restaurante, na minhas opinião, o melhor custo-benefício da cidade.

Sempre penso no Mocotó como um lugar para se descobrir aos poucos, como se ele tivesse "camadas" de sabores. Primeiro, provam-se os pratos de sabores mais fáceis - bolinho de tapioca com queijo-de-coalho, o glorioso escondidinho de carne-seca (um clássico da casa), o delicado baião-de-dois. A musse de chocolate com cachaça é obrigatória na primeira visita, assim como o torresminho, com pedaços absolutamente simétricos e crocantes.

Depois, vale penetrar um pouco mais nos sabores sertanejos. Seu atolado de bode é impressionantemente macio, e a mocofava (caldo de mocotó com favada), de um sabor marcante. O pudim de tapioca com calda de coco queimado é outra ótima pedida.

Depois de uma certa intimidade com o cardápio - o que inclui provar ainda a paleta de cordeiro com legumes assados em molho de melado e acompanhada de farinha-d'água, e a carne-de-sol com alho assado, pimenta biquinho e chips de mandioca -, é hora de encarar o caldo de mocotó e uma d-e-l-i-c-i-o-s-a dobradinha!

Depois de um contato maior com a cozinha mexicana, Rodrigo incluiu, certa vez, o chile piquín - bastante usado na borda de um copinho de tequila - sobre uma fatia de abacaxi, acompanhamento da suculenta costelinha de porco confitada. Quem sabe em 2010, além da reforma por que passa cozinha para abrigar novos equipamentos, não vejamos por lá algumas opções de mezcal, a típica bebida mexicana que deve chegar em breve ao país?

3 comentários:

Anônimo disse...

Concordo com vc, é um lugar sensacional!

Nelza Lau disse...

Garota!
Sou apenas uma curiosa, apreciadora da gastronomia e tenho fascinação por rituais. É isso q torna um momento especial, único...
Ao ler teu perfil (história, livros antigos)... lembrei de um livro q juntei do lixo, pois o insano q ganhou não valorizou... È maravilhoso, artesanal. Chama-se
UMBRIA IN BOCCA, de Antonella Santolint...
Prazer em te conhecer!

Cris Couto disse...

nelza,
que coisa, não? vou dar um "google" nesse livro para espiar também... quem sabe?!
oberigada pela dica e feliz 2010!