Roberto Gerosa publicou anteontem no seu blog um post sobre confrarias de vinho. Há tempos que venho querendo postar algo sobre a minha confraria, fundada numa prova informal de alguns vinhos brasileiros para o Basilico, em casa, com a Bia Marques, que trabalhava comigo no site. Em uma semana, em junho de 2006, reunimos um grupo de 8 mulheres (basicamente o mesmo, até agora), que ganharam o nome de Descorchadas. Não somos do calibre do Chevaliers du Tastevin, nem temos integrantes famosos como na confraria do Periquita como exemplifica Gerosa, mas as pessoas que ouvem falar da confraria bem que se interessam em tirar uma lasquinha. Somos quase todas jornalistas (com exceção da nossa especialista em cafés), e o maior luxo a que nos demos até hoje foi um encontro em Paraty - regado a ótima comida no restaurante Margarida e com direito a passeio de veleiro. No mais, nos encontramos em casa em vez de restaurantes, cozinhamos "quase" sempre e temos a cada sessão um convidado de honra - como o especialista em vinhos da Folha, meu "mestre" Jorge Carrara, que já participou de uma das nossas noitadas.
Nossa confraria é bem pé-no-chão - optamos por uma linha custo-benefício, e por temas ainda bastante amplos, como uvas de um determinado país. Não usamos fichas para atribuir notas aos rótulos, apenas provamos (às cegas), fazemos nossos comentários "de nariz e de boca", tomamos nossas anotações e elegemos o melhor da noite. E nem sempre conseguimos ser sistemáticas e nos encontrar todos os meses — com um bando de jornalistas em fechamento, era meio previsível. Mas são noites imperdíveis, podem acreditar. A última foi até bem chique, com vinhos feitos majoritariamente com a uva merlot pelo mundo. Estavam na roda o brasileiro Desejo 2005, o argentino Pulenta State Merlot 2006, um Bordeaux (claro), o Château Malmaison Barone Nadine Rothschild (80% merlot, 20% cabernet, R$ 142 na Zahil) e o italiano Planeta 2005 (95% merlot e 5% petit verdot), 90 pontos na WS (abraviação dos iniciados para a Wine Spectator).
Para abrir os trabalhos, uma deliciosa champagne Piper Heidsieck. E um cardápio caprichado para depois da prova (ainda não nos preocupamos muito com harmonização, ok?): bifun com pato desfiado, salada de folhas verdes e, de sobremesa, diversos brigadeiros da Maria Brigadeiro. Tudo de bom!
(Cinco de nós - não tenho uma foto com todas, unfortunately - na época do lançamento do meu livro. Foto de profissional, claro)

E a sobremesa do último encontro!