quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Os novos vinhos do Tejo



Em 2009, a região vitivinícola do Ribatejo, a segunda de maior produção de Portugal, foi rebatizada. Agora, consumimos os vinhos do Tejo — como era originalmente chamada esta região, banhada pelo rio Tejo (o maior da península ibérica) e zona de transição entre o Norte e o Sul do país. A explicação para a mudança de nome é facilitar o comércio internacional dos vinhos locais — agora diretamente associados ao rio, conhecido mundialmente.

A mudança pretende, também, dissociá-la de uma certa imagem negativa: tradicionalmente calcada na produção em grande volume, a região passou por uma melhora na qualidade nos últimos anos. Dia destes, uma apresentação organizada pela Comissão Vitivinícola Regional do Tejo mostrou o resultado dos recentes investimentos de quatro vinícolas para dar mais qualidade aos vinhos da região: Fiúza & Bright, Quinta da Alorna, Casal Branco, Quatro Âncoras e Encosta do Sobral.

As seis sub-regiões do Tejo — Cartaxo, Santarém, Almeirim (a principal), Coruche, Tomar e Chamusca — produzem tintos e brancos, feitos com uvas nativas como a Arinto e a Fernão Pires, entre as brancas. No rol das tintas, Trincadeira, Castelão e Touriga Nacional vem se associando cada vez mais a castas estrangeiras, como Cabernet Sauvignon, Syrah e Merlot. A francesa Chardonnay e Sauvignon Blanc também entram em cortes nos vinhos brancos.

O Tejo tem três zonas de terrenos bem distintos, explicou Mário Telles Jr., vice-presidente da ABS-SP, durante sua exposição sobre os vinhos do lugar. As áreas próximas ao rio (chamadas Campo, Lezíria ou Borda de Água), tem terrenos muito férteis, que não são apropriados para a produção da bebida. As recentes joint-ventures no Tejo fizeram com que alguns produtores migrassem para territórios mais propícios – como o Bairro, na margem direita do Tejo e de terrenos argilosos, e a Charneca, na margem esquerda, com terrenos arenosos e pouco férteis.

Dizem que os vinhos da região são tradicionalmente encorpados e alcoólicos, e que precisam de tempo. Vale a pena, portanto, conhecer os novos vinhos do Tejo, mais prontos para beber e cujos preços, inclusive, são mais atraentes do que o de outras regiões mais famosas, como o Alentejo.

Dos vários vinhos provados, muitos ainda não tem importador por aqui. Para mim, destacaram-se os modernos vinhos da Fiuza & Bright, uma vinívola que surgiu em 1985 da associação entre uma família portuguesa (Fiuza) e um enólogo australiano (Peter Bright): o branco Fiuza Três Castas 2009 (Arinto, Chardonnay e Vital), mais estruturado e com boa fruta e acidez, e o elegante Fiuza Premium tinto 2007 (Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon).

Uma boa surpresa (e barata) foi o Quinta da Alorna Branco 2009 (R$ 40,20, na Adega Alentejana). Da vinícola Quinta da Alorna, fundada em 1723, com 2.800 hectares (220 deles ocupados com uvas na região da Charneca), é um branco fresco, de boa acidez (uma característica da Arinto, uma das duas uvas do corte) e perfumado (uma marca da Fernão Pires), com final muito agradável.

4 comentários:

Anônimo disse...

Cris,
Sou daqueles que adoram vinhos brancos. Valeu a dica!
abraço,
Gustavo

Anônimo disse...

Olá Cris,

Os vinhos ibéricos são de uma enorme variedade e precisam ser descobertos, e mesmo uma vida dedicada a isso não seria suficiente para descobri-los todos.
Parabéns e deixou-me com água na boca, eles fogem do lugar comum.

Abraços e até breve!
Agilson

Cris Couto disse...

Gustavo, você dos meus!
Abraço,

Cris Couto disse...

Agilson,
Você é um visitante fiel. Adoro! que bom que você gostou dos vinhos, eu tamém adoro os vinhos ibéricos!

um abraço,